Olá! Seja bem vindo ao nosso site. 

 05 de Maio de 2026

Dados disponíveis no painel Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sobre ações judiciais envolvendo cartão de crédito acendem o alerta para a presença do método de pagamento como um problema constante entre consumidores capixabas.
 
Estão pendentes de julgamento no Tribunal de Justiça do Estado (TJ-ES) e no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) 4.928 processos relacionados a queixas envolvendo o cartão — sendo 97,7% no TJ-ES.
 
Embora o painel não detalhe os motivos que originaram os processos em questão, as reclamações registradas pelo Instituto Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-ES) em 2025 dão uma direção dos problemas enfrentados pelos consumidores no Estado.
 
Cobrança de tarifas, taxas, valores não previstos ou não informados (304 registros), renegociação e parcelamento de dívida (1.381 registros), clonagem, fraude, furto e roubo (263 registros) e cálculo de juros e saldo devedor (141 registros) foram as principais queixas contabilizadas pelo órgão no ano passado.
 
Já neste ano, foram 976 registros, com renegociação e parcelamento de dívida (341 registros) e cobrança de tarifas, taxas e valores (68 registros) sendo os principais.
 
O crédito rotativo é o principal vilão, segundo o economista Ricardo Paixão. Uma dívida chega a mais que quadruplicar no ano, com uma taxa atual de 428,3% de juros. E o rotativo ser tão caro, segundo ele, não é por acaso.
 
“Ele envolve um risco muito elevado para as instituições financeiras, já que, em geral, é utilizado por quem não conseguiu pagar o valor total da fatura. Para compensar, os bancos aplicam taxas de juros mais altas”, diz.
 
Também pesam ao problema a facilidade de acesso ao cartão, combinada com a falta de planejamento financeiro e, em muitos casos, a queda da renda do trabalhador e o aumento do custo de vida, diz Paixão.
 
“A renda média do trabalhador brasileiro é muito baixa, o que o coloca em uma situação de orçamento extremamente apertado”, comenta.
 
Muitas vezes, consumidores também são surpreendidos por contratos extensos, com várias páginas que não conseguiu ler com a devida atenção ou compreender tecnicamente. Isso acarreta em dívidas não previstas, aponta o advogado Henrique Dassie.
 
Pedidos de indenização por questões não resolvidas
 
A demora e a dificuldade em solucionar os problemas com cartão de crédito de forma extrajudicial acaba empurrando muitos clientes para o Judiciário, na busca por alternativa para reaver os valores e obter indenização por danos morais — principalmente ao perceber que a dívida se tornou impagável.
 
Pedidos de indenização por cobrança indevida são hoje um dos principais vetores de sobrecarga do Judiciário, segundo o advogado especialista em Direito do Consumidor Eduardo Sarlo.
 
“A sobrecarga decorre da combinação entre falhas sistêmicas das empresas, incentivo jurídico à reparação, facilidade de acesso à Justiça e ausência de uma cultura efetiva de resolução extrajudicial. Enquanto esses fatores persistirem, a tendência é de manutenção ou até aumento desse tipo de demanda”, comenta.
 
Para especialistas, porém, procurar as vias judiciais é recomendado quando se esgotaram as tentativas com o banco, pelo Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). Elas podem, inclusive, fortalecer a ação judicial.
 
SAIBA MAIS
 
Principais problemas com cartão de crédito
 
> As principais ações envolvendo cartão de crédito estão relacionadas a juros abusivos e fraudes. No caso dos juros, consumidores questionam cobranças do crédito rotativo, que são muito superiores à Selic — taxa básica de juros — e podem, em poucos meses, superar o valor original da dívida. Esse cenário é agravado por contratos extensos e de difícil compreensão, muitas vezes não lidos integralmente.
 
> Também são frequentes transações não reconhecidas, como compras com dados clonados, golpes de engenharia social — incluindo falsas centrais telefônicas e phishing —, além de invasões de aplicativos bancários e movimentações via PIX após acesso indevido à conta.
 
Aumento das reclamações
 
> Esse tipo de demanda tem crescido nos últimos anos, impulsionado principalmente pela digitalização dos serviços bancários e pela sofisticação dos golpes. A popularização de aplicativos e pagamentos instantâneos ampliou a exposição dos consumidores, enquanto mecanismos de segurança nem sempre acompanharam esse avanço.
 
> Além disso, o contexto de alta de juros, aumento do custo de vida e crescimento da inadimplência contribui para a escalada das ações. O maior acesso à informação jurídica também tem encorajado consumidores a buscarem reparação no Judiciário.
 
Dificuldades em golpes
 
> No campo das fraudes, é recorrente a resistência das instituições financeiras em reconhecer administrativamente as irregularidades, mesmo após comunicação imediata do cliente. Também são apontadas demora na análise, exigência de documentos excessivos e manutenção da cobrança mesmo após contestação formal.
 
> Outro ponto frequente é a falha na prestação do serviço, especialmente pela ausência de mecanismos eficazes de detecção de movimentações atípicas e proteção adequada dos dados.
 
O que leva o consumidor a procurar a Justiça
 
> O consumidor costuma recorrer ao Judiciário quando a dívida se torna impagável, seja pelo efeito dos juros rotativos ou por cobranças decorrentes de fraudes. O chamado efeito “bola de neve” faz com que o débito cresça rapidamente, superando a capacidade de pagamento.
 
> A negativa de estorno, o atendimento pouco resolutivo e a dificuldade de solução administrativa acabam empurrando o cliente para a Justiça. Nesses casos, a via judicial é vista como a única alternativa para reaver valores e buscar eventual indenização.
 
Fatores que agravam o endividamento
 
> A facilidade de acesso ao crédito, especialmente por meio de fintechs e bancos digitais, ampliou a oferta sem necessariamente vir acompanhada de educação financeira. Muitos consumidores não compreendem plenamente o funcionamento do crédito rotativo ou o impacto do pagamento mínimo.
 
> Somam-se a isso a queda da renda, o aumento do custo de vida e orçamentos já apertados. Nesse contexto, o rotativo passa a ser utilizado como solução emergencial, mas acaba agravando a situação financeira e alimentando o ciclo de endividamento.

 

 
 

 

 

 

Com informações Tribuna Online

Últimas Notícias

Vídeo - Canal Livre

Clima / Tempo

Artigo/Opinião

Dicas das Estradas

Destaques

Parceiros do PDN