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 03 de Fevereiro de 2026

Há algo profundamente errado acontecendo nas noites ao vivo de A Fazenda, e já não se trata apenas do comportamento dos peões. A percepção crescente é de que falta comando, precisão e rigor técnico na apresentação, e isso se torna evidente toda vez que Adriane Galisteu abre a rodada de apontamentos. A dinâmica é conhecida, previsível, estruturada: alguém acusa, outro responde, eventualmente há tréplica, tudo cronometrado. Mas bastam dez segundos para que qualquer tentativa de ordem dissolva-se num coro dissonante, com todos falando ao mesmo tempo e o público incapaz de acompanhar qualquer linha argumentativa. Não é crítica moralista: é análise televisiva pura. E, sob esse prisma, o que vemos é um descontrole que salta aos olhos.
 
O papel da apresentadora exige firmeza, pulso, clareza de comando; atributos fundamentais num programa em que a tensão é constante. No entanto, o que se tem visto é uma Galisteu hesitante, por vezes resignada, entregando o palco ao caos. A impressão é que ela larga o volante antes mesmo da curva. E isso abre duas leituras possíveis, ambas igualmente preocupantes: ou a apresentadora perdeu a capacidade de dominar o ao vivo, ou a direção está deliberadamente pedindo para ela atravessar esse constrangimento público. Em qualquer dos cenários, o resultado é o mesmo: um vexame técnico que mina a credibilidade da transmissão, confunde o público e fragiliza a imagem da atração.
 
A consequência prática desse descontrole é brutal. Sem um mediador que imponha ordem, o ao vivo vira uma massa sonora ininteligível. Quem assiste depende de sorte: da qualidade da TV, do volume do ambiente, da nitidez da transmissão. A ausência de condução transforma cada fala num ruído, cada argumento num grito, cada debate num atropelo. E isso não apenas prejudica a compreensão: prejudica a própria lógica do reality, que depende de clareza narrativa para construir vilões, heróis, conflitos e alianças. O caos sem comando não gera interesse: gera cansaço. E transmite, inevitavelmente, a sensação de que ninguém está no controle. Nem quem joga, nem quem apresenta.
 
A crítica televisiva, que não costuma poupar emissoras quando há tropeços visíveis, já aponta um risco preocupante: Galisteu começa a parecer dispensável nas dinâmicas. Quando Thamires toma a frente e anuncia “acabou o tempo dele, Galisteu”, quando os próprios participantes passam a ditar o ritmo, e quando a apresentadora intervém com um tímido “posso seguir, tchurma?”, não se trata apenas de uma falha de postura, trata-se de uma inversão de hierarquia em transmissão ao vivo. Nenhum programa de grande porte pode permitir que sua mediadora se transforme em coadjuvante da própria função.
 
A Record precisa encarar o problema com a seriedade que ele exige. A Fazenda sempre lidou com o imprevisível, com a bagunça, com a fricção do confinamento. Isso faz parte do produto. Mas deixar que a apresentação naufrague, que o ao vivo se torne desorganizado, que o público perca acesso ao conteúdo e que patrocinadores vejam sua imagem associada a uma transmissão errática, isso é inadmissível. Falta ajuste. Falta direção. Falta pulso. O reality pode até conviver com barracos, mas não pode conviver com a dissolução técnica de sua própria condução. E ontem, mais uma vez, ficou claro: se nada mudar, não será o jogo que afundará A Fazenda. Será o próprio ao vivo.

 

 
 

 

 

 

 

Com informações https://lobianco.ig.com.br/

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal DN

 

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