Pior campanha desde 1990. Um “líder” que não disputou uma Copa do Mundo sequer com sua melhor forma física. Ciclo tenebroso, com quatro treinadores diferentes. Jogadores com pouco ou nenhuma identificação com a torcida.
Se não chega a ser “terra arrasada”, o cenário da Seleção Brasileira pós-eliminação na Copa do Mundo de 2026 é assustador. A camisa mais poderosa do futebol mundial caiu num buraco profundo.
Campeão pela última vez em 2002, o Brasil vai para o seu maior período na história sem conquistar uma Copa do Mundo. Um jejum que vai completar 28 anos na Copa de 2030, ano da próxima edição do Mundial.
Desde a conquista na Copa da Coreia e do Japão, a Seleção caiu nas quartas de final das Copas de 2006 e 2010; foi semifinalista na Copa de 2010, mas levou de 7 a 1 da Alemanha em casa; e caiu novamente nas quartas de final nas edições de 2018 e 2022.
A Seleção não era eliminada nas oitavas de final desde a Copa de 1990, quando perdeu para a Argentina de Maradona.
O pior? A indiferença de grande parte da torcida. Ou seja, não conseguimos nem ficar indignados com mais uma eliminação diante da Noruega! Sim, a Noruega, de tradição nos esportes de inverno e no handebol, mas uma “café com leite”, no futebol. A vida segue, o Brasil, não.
Ancelotti é culpado sim
Contratado para ser o nome de peso da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti tem culpa na eliminação precoce na Copa de 2026.
O Brasil levou um amasso de Marrocos no primeiro tempo da estreia. Cumpriu sua obrigação contra o fraquíssimo Haiti e venceu a Escócia sem sustos. Na segunda fase, sofreu para vencer o Japão. E foi superado por Haaland, que teve liberdade nos lances dos dois gols. Inacreditável.
Tomou decisões equivocadas desde a convocação, mas que foram “esquecidas” devido ao seu currículo supervitorioso como treinador de clubes.
Ancelotti até tentou ser mais simpático, fez piadas nas entrevistas e cantou o Hino. Mas tem sua culpa em não conseguir fazer o Brasil se impor como Brasil em momento algum. E, no final, morreu abraçado a Neymar.
Quem não vai deixar saudades
A Copa de 2026 foi a última de representantes de uma geração muito vitoriosa nos clubes, mas que não vai deixar saudades na Seleção Brasileira.
Alisson, Ederson, Danilo, Alex Sandro, Marquinhos e Casemiro disputaram mais de uma Copa do Mundo. E nada fizeram. Apesar de ser mais novo, Paquetá também entra nesta lista. Que saiam e abram espaço para novos nomes.
Quem merece nova chance
Dos que foram à Copa de 2026, Rayan (como atacante e não como assistente de lateral), Endrick e Danilo Santos devem encabeçar a nova geração, com a companhia dos novos “veteranos” Vini Jr., Raphinha e Bruno Guimarães (apesar do pênalti).
Mas os reforços são os que não estiveram nos EUA: Estêvão, João Pedro, Andrey Santos, André, João Gomes, Beraldo, Murillo, Vitor Reis, Wesley (que foi cortado por lesão), Kaiki Bruno, Martinelli…
Os problemas: precisamos renovar as laterais com urgência. A sensação é de que os melhores sempre são os que não jogando… Mas as opções estão longe de serem unanimidades. É preciso apostar e dar continuidade ao desenvolvimento dos escolhidos.
E o Neymar?
Não foi por falta de aviso…

Ancelotti na derrota do Brasil para a Noruega na Copa de 2026

Fonte: Folha Vitória/Flávio Dias
https://www.folhavitoria.com.br/esportes/opiniao