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 27 de Junho de 2026

Por muito tempo, fomos condicionadas a acreditar que ser forte era uma virtude e que reclamar ou demonstrar cansaço era sinônimo de fraqueza. Aprendemos que existem papéis socialmente atribuídos às mulheres e que, muitas vezes, espera-se que os desempenhemos com dedicação, sem questionamentos e sem demonstrar dificuldades.
 
Esses papéis foram historicamente associados ao cuidado, à escuta, ao afeto e à manutenção da vida familiar. Desde a infância, muitas meninas são incentivadas a desenvolver características ligadas ao acolhimento e à responsabilidade. As brincadeiras, os exemplos recebidos e as expectativas sociais frequentemente ajudam a construir a ideia de que cuidar dos outros é uma tarefa naturalmente feminina.
 
Com o passar do tempo, a vida adulta chega e, com ela, novas demandas. Além dos papéis tradicionalmente esperados, surgem inúmeras outras responsabilidades: a carreira, os estudos, a maternidade, os relacionamentos, a gestão da casa, das finanças e dos compromissos cotidianos. E, em meio a tudo isso, a crença de que é preciso ser forte o tempo todo continua presente.
 
A mulher aprende a resolver problemas, a ser ágil, a atender às necessidades dos outros e a seguir em frente, muitas vezes sem ter espaço para refletir sobre as próprias necessidades. Ela se movimenta constantemente para dar conta do que precisa ser feito, do que acredita ser sua responsabilidade e do que esperam dela.
 
Mas uma pergunta importante precisa ser feita: quem cuida de quem cuida?
Recentemente, assisti a um vídeo em que homens e mulheres eram entrevistados nas ruas e questionados sobre o que costumavam fazer ao chegar em casa após o trabalho. Muitos homens responderam que descansavam. Já várias mulheres relataram que iniciavam uma nova jornada: organizar a casa, preparar refeições e cuidar de outras demandas familiares.

Esse recorte nos convida a refletir sobre a saúde mental e emocional das mulheres. Em meio a tantas responsabilidades, existe tempo para descansar? Existe espaço para um hobby, para o lazer ou simplesmente para não fazer nada? Existe alguém disposto a ouvir e a auxiliar essas mulheres com a mesma atenção que elas dedicam aos outros?

 

 
Repensar o conceito de força tornou-se uma necessidade, a saúde mental não é algo secundário, é uma prioridade.
Ser forte não significa ignorar o próprio sofrimento. Não significa suportar tudo sozinha. Tampouco significa estar disponível para todos o tempo inteiro.

Ser forte também é reconhecer limites. É pedir ajuda quando necessário. É dizer "não" sem culpa. É compreender que o descanso não é um privilégio, mas uma necessidade humana.

 
Vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade e, muitas vezes, romantiza a sobrecarga. Entretanto, ninguém consegue permanecer forte o tempo todo sem pagar um preço emocional por isso.
 
Somos humanas. Sentimos medo, tristeza, frustração, cansaço e insegurança. E não há nada de errado nisso.
 
Talvez a verdadeira força esteja justamente em abandonar a obrigação de ser forte o tempo todo. Em acolher as próprias emoções com a mesma gentileza que oferecemos aos outros. Em reconhecer que merecemos cuidado, respeito e atenção não porque desempenhamos múltiplos papéis, mas simplesmente porque somos pessoas.
 
A mulher forte não é aquela que suporta tudo em silêncio. É aquela que consegue olhar para si mesma com honestidade, reconhecer suas necessidades e compreender que cuidar da própria saúde mental não significa egoísmo, é um ato de respeito consigo mesma.

 

 

* Psicanalista e Formanda em Psicologia - Saúde Mental e Emocional da Mulher,  Colunista, Formada em Letras, Palestrante Especialista em Inteligência Emocional, Autora do Ebook Como ser um Psicanalista.

 

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