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 18 de Maio de 2024

Atualmente, muito se fala sobre o turbante, que para além de acessório é um instrumento estrutural da cultura africana e afro brasileira, um adorno que traz diversos significados em suas formas de amarrações. 

 

Em algumas populações, ele é utilizado para proteger a cabeça e a mente, fonte de pensamentos e cultivo da fé. No continente africano algumas religiões usam o Ojá, que tem uma função cultural e social com estampas coloridas e significados profundos. 

 

Na tribo dos siques, uma população que não é nem mulçumana, nem árabe, a maioria usam turbantes. 

 

Na Índia, são utilizados para proteger a cabeça do clima quente do deserto e ainda representam a casta, o poder financeiro e a espiritualidade.

 

No Brasil, somos afrodescendentes dos pés a cabeça, a cultura africana está na linguagem, culinária, música, dança, vestimentas e acesséssorios, o turbante representa a afirmação da identidade cultural, da população negra, sequestrada na África, exuberante e colorido eles representam símbolo de resistência, reafirmando sua origem africana. 

 

Ao usar um turbante no Brasil, estamos ressignificando os aspectos da cultura negra, lutando contra o racismo. No aspecto religioso os turbantes são utilizados nas religiões de matriz africana, o Candomblé, Umbanda, espiritismo e traços do catolicismo. 

 

Com o aumento e valorização da história afrobrasileira, e o forte comércio entre Ocidente e Oriente as trocas culturais foram ficando mais comuns, daí os turbantes ganharam o mundo da moda, inclusive na Europa, entre as décadas de 20 e 30, e hoje se tornou mundialmente usado e desejado. 

 

Existem alguns momentos em que o uso dos turbantes tem causado preconceitos e hostilidades nos Estados Unidos, após os ataques de 11 de Setembro, pessoas com turbantes são associados aos mulçumanos e ao terrorismo, no Brasil somos discriminados pela associação as religiões de matriz africanas. 

 

 

Turbante e apropriação cultural

 

Somos uma população miscigenada, entre os povos originários (indígenas) africanos e portugueses. Por este motivo é comum observar uma mistura cultural entre essas populações, porém devemos sempre respeitar e valorizar a simbologia cultural africana, especialmente por se tratar da cultura negra, que ainda é alvo de preconceito racial. 

 

É por isso que o uso do turbante está altamente ligado a um ato  político de reafirmação e resistência à favor da cultura negra, para que não se perca o seu valor, e também pela luta para cultivar e promover o orgulho pela cultura dos negros e a cultura africana como um todo. Isso porque africanos e afrodescendentes carregam consigo traços culturais e ancestrais muito fortes, presentes em todo o mundo, mas ainda sofrem com o preconceito e a discriminação. 

 

O nosso turbante é uma ferramenta de reconhecimento cultural e autoaceitação da origem ancestral negra, produtora de saberes e fazeres, costumes e tradições.

 

 

Texto de Luciana Souza (Baiana) coordenadora do Coletivo de Fortalecimento e Empoderamento da População Negra do Sul do ES.

 

 

 

Giliarde de Oliveira

Colunista 

 

Administrador, Radialista, Colunista, pós graduado em Gestão Pública, Professor de Geografia,  pós graduado em Educação de Jovens e Adultos e Licenciando em Teatro. 

 

 

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