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 18 de Junho de 2018

Cingapura: Após quase cinco horas de um encontro histórico nesta terça-feira, em Cingapura, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, assinaram um documento em que a Coreia do Norte se compromete a trabalhar para a sua desnuclearização e em que sinalizam o desenvolvimento de "novas relações" entre os países - um passo avaliado como "desenvolvimento sem precedentes" depois de um ano marcado por hostilidade e troca de ameaças entre as partes.

 

Esse foi o primeiro encontro entre líderes dos dois países. A cúpula foi realizada após um ano de testes de armas nucleares realizados pela Coreia do Norte, e depois de o país ter anunciado que já havia completado seu programa de desenvolvimento de armas atômicas.

 

O acordo foca em quatro compromissos:

 

1. EUA e Coreia do Norte se comprometem a estabelecer novas relações conforme desejo do povo dos dois países em perseguir paz e prosperidade;

2. EUA e Coreia do Norte empreenderão esforços para criar uma paz estável e duradoura na Península Coreana;

3. A Coreia do Norte se compromete a trabalhar no sentido de alcançar a total desnuclearização da Península Coreana;

4. EUA e Coreia do Norte se comprometem a recuperar prisioneiros de guerra e soldados desaparecidos, incluindo a repatriação daqueles já identificados.

 

O presidente americano disse que o processo de desnuclearização da Coreia do Norte - a questão principal que tinham à mesa - começaria "muito, muito rápido".

 

Analistas consultados pela BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, avaliam, entretanto, que ele poderia alongar-se por até 10 anos e que há dúvidas quanto ao que Kim estaria realmente disposto a ceder.

 

O objetivo final de Trump, considerado difícil de alcançar, segundo os analistas, é que a Coreia do Norte se desfaça das armas nucleares, de maneira "completa, verificável e irreversível", mas essas condições não estão mencionadas no documento.

 

Na cerimônia de assinatura, os líderes fizeram breves comentários à imprensa.

 

"Acho que os dois lados ficarão muito impressionados com o resultado", disse Trump.

 

Horas antes, os presidentes iniciaram o encontro com um aperto de mãos diante de jornalistas e em frente às bandeiras de seus países, em um hotel de luxo na ilha de Sentosa, em Cingapura, após meses de idas e vindas em suas relações diplomáticas.

 

'Mudança'

 

"As relações (a partir de agora) vão ser muito diferentes do que foram no passado", disse Trump, afirmando ainda que havia desenvolvido um "laço muito especial com Kim" e que "definitivamente" o convidaria para visitá-lo na Casa Branca.

 

O líder norte-coreano, por sua vez, declarou que "o mundo verá grandes mudanças" e que tanto ele quanto Trump haviam decidido "deixar o passado para trás".

 

Após falarem rapidamente à imprensa, Trump e Kim seguiram para conversas privadas ao lado de tradutores. Depois, tiveram o reforço de assessores. Trump, por exemplo, sentou à mesa acompanhado de seu secretário de Estado, Mike Pompeo, e do chefe de gabinete, John Kelly.

 

Analistas estão divididos sobre as consequências reais da reunião: alguns veem nela um esforço - bem-sucedido - de propaganda por parte de Kim, enquanto outros enxergaram nela um caminho para a paz.

 

Início do encontro em Cingapura

 

A jornalistas, no início do encontro, Trump afirmou prever uma "ótima relação" com Kim.

 

"Me sinto muito bem. Teremos uma formidável discussão e seremos tremendamente bem-sucedidos" disse o americano.

 

O líder norte-coreano comemorou: "Não foi fácil chegar aqui...Houve obstáculos, mas os superamos para estar aqui", disse ele, na primeira entrevista concedida a jornalistas ocidentais.

 

Segundo Rupert Wingfield-Hayes, correspondente da BBC, as cenas vistas em Cingapura são "fundamentalmente diferentes do que havíamos visto antes".

 

"Os dois líderes estão se reunindo antes que muitos dos detalhes tenham sido trabalhados pelos especialistas. Então, esse é na verdade o início de um processo", aponta Wingfield-Hayes.

 

O presidente dos EUA já afirmou que seu objetivo com o encontro era a desnuclearização unilateral e imediata da Coreia do Norte, mas em uma entrevista mais recente ao canal Fox News, havia admitido que "uma fase transitória poderia ser um pouco necessária".

 

Já o propósito de Kim Jong-un, segundo analistas, passa por reforçar o reconhecimento internacional da Coreia do Norte como uma potência nuclear, pela abertura para o mundo exterior e para consequentes benefícios para a economia do país - marcado por um regime autoritário altamente repressivo em que opositores são enviados a campos de trabalho forçado.

 

Relações com a Coreia do Sul

 

O encontro também foi acompanhado de perto pela Coreia do Sul, cujo conflito com a Coreia do Norte, entre 1950 e 1953, foi encerrado com uma trégua, mas sem um tratado de paz. Uma foto divulgada por veículos de imprensa mostra o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, assistindo ao encontro através da televisão.

 

Moon afirmou que passou uma "noite sem dormir" na véspera do encontro entre Trump e Kim e disse esperar que a reunião possa "inaugurar uma nova era de completa desnuclearização, paz e novas relações entre a Coreia do Sul, Coreia do Norte e os Estados Unidos".

 

O histórico encontro entre Trump e Kim foi precedido por outro marco, em abril, quando Kim Jong-un e Moon-Jae-in se encontraram na fronteira entre os dois países. Na ocasião, eles se comprometeram a buscar a "completa desnuclearização" da península.

 

A reunião em Sentosa surpreende também diante da tendência de hostilidade observada entre os EUA e a Coreia do Norte até o início de 2018. Em setembro de 2017, Trump afirmou que iria "destruir totalmente" a Coreia do Norte e que Kim - o "pequeno homem-foguete", segundo o americano - estava numa "missão suicida". No mesmo mês, Kim chamou Trump de "idoso com deficiências físicas e mentais".

 

O ditador norte-coreano, Kim Jon-un (à esq.), cumprimenta o presidente dos EUA, Donald Trump, em Singapura - Foto/Saul Loeb/Reprodução/FolhaSP/UOL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Com informações BBC Brasil/Redação IOL

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